UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR - CARNAVAL 2019

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Setor 1 – “O Baú do Imaginário Matuto”


                Era uma vez o desejo de contar histórias. Histórias únicas, impregnadas de sorrisos e abraços. Histórias que trouxessem notícias do Brasil e sua gente.

                Esse universo múltiplo, de caras e figuras em constante movimento, passeia pelo sertão afora, percorre caminhos e lendas, conhece outros lugares, experimenta sabores diferentes, voa nas asas das palavras e, ao som do sanfoneiro, dança as cirandas da vida.

                Assim foram surgindo as primeiras narrativas de uma peleja poética entre Rachel e Alencar. Personagens vivos numa folia colorida, contadas no avarandado do céu. Quem quiser escutar, que se aprochegue, se assim lhe agradar.

                - Rachel, nobre escritora. Sensível como uma flor. Você ficará sabendo o peso de um escritor. Remexa todos os livros e conhecerá meu valor.

                - Oh, ilustre menestrel, cujo nome é Alencar. Que às tradições é fiel e faz o baú do imaginário desabrochar, um universo de lendas, magia entre o homem e seu lugar.

                - "Desenhavam-se a cada instante na tela das reminiscências, as paisagens do meu pátrio Ceará. Cenas estas que eu havia contemplado com olhos de menino dez anos antes, ao atravessar essas regiões em jornada e, coloriam-se ao vivo com as tintas frescas da palheta cearense." (JOSÉ DE ALENCAR, "O nosso cancioneiro")

            - "Em frente, todos os novos caminhos para mim eram um mistério." (RACHEL DE QUEIROZ, "Memorial de Maria Moura")

                Personagens lendários desviando caminhos para seguir em frente. Uma linda princesa (transformada numa serpente de escamas de ouro), esquecida em seu castelo com torres douradas, guardando joias, pedrarias, barras de prata e moeda aos montes para o herói audacioso que resolva lhe “quebrar” o encanto. Nas asas do vento criador, a esfinge de Quixadá e o velho Guajará passeiam, ao som do Urutaú, por trilhas nunca antes descobertas. Sons de tambores permeiam os contos do Dragão e o tesouro enterrado em Ipu.

                - "O Urutaú no fundo da mata solta as suas notas graves e sonoras, que, reboando pelas longas crastas de verdura, vão ecoar ao longe como o toque lento e pausado do ângelus" (ALENCAR, ”O Guarani”)

                - “Iam para o destino, que os chamara de tão longe, das terras secas e fulvas de Quixadá, e os trouxera entre a fome e mortes, e angústias infinitas, para os conduzir agora, por cima da água do mar, às terras longínquas onde sempre há farinha e sempre há inverno...” (RACHEL, "O Quinze")

                - "Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu" (ALENCAR,”O Guarani”)

Setor 2 – “As crônicas de fogo e gelo”

                Terra de maturação, na qual o tempo engedra caldo e doçura. Fruto prazeroso do fazer coletivo: cultivar, plantar, colher. Sua comida congrega visitantes e reúne amigos. O perfume dos seus doces aproxima os vizinhos, evocando aromas e sabores, enchendo a boca de água e os olhos de sonhos.

                - Rachel, doce menina, se entendes de comidas, do sertão não faça rolo. Eu gosto de macaxeira, pamonha de milho e bolo. Buchada, sarapatel, batida, alfenim e tijolo.

                - Aprecio bolo mole, carne de sol, panelada. Rapadura, sarrabulho, caranguejo, farofada. Galinha à cabidela, baião-de-dois, cuscuz do norte e cocada.

                - "Compunha-se esta de uma naca de carne de vento e alguns punhados de farinha, que trazia no alforje. De postres um pedaço de rapadura, regado com água da borracha." (ALENCAR - "O Sertanejo")

               

                - "Só comparo o Nordeste à Terra Santa. Homens magros, tostados, ascéticos. A carne de bode, o queijo duro, a fruta de lavra seca, o grão cozido em água e sal. Um poço, uma lagoa é como um sol líquido, em torno do qual gravitam as plantas, os homens e os bichos." (RACHEL, "O Não me deixes: suas histórias e sua cozinha")

                -"Os lenhadores voltavam do mato carregados de feixes, enquanto os companheiros conduziam à bolandeira cestos de mandioca, ainda da plantação do ano anterior, para a desmancharem em farinha durante o serão. "( ALENCAR - "O Sertanejo")

                "Pegamos os fardos de pano, o sal que dura sem fim. E os sacos com os mantimentos dos comboieiros comerem em caminho: feijão, farinha, e meia manta de carne seca." (QUEIROZ, "Memorial de Maria Moura")

                Os materiais percorrem as mãos impregnadas de vivências que vão descobrindo formas e cores. Artesanato repleto de brasilidade. O olhar atento de quem cria, o sentido aguçado de quem constrói.

                - Rachel, no artesanato, vidros com cores de areias, arupemba de palha, balaio da carnaubeira. Louça feita de barro, bodoque e algibeira.

                - Alencar, o Mestre Noza, era um artista fiel, fazendo a literatura, cumprir social papel. Inter-relacionou xilogravura e cordel.

                - “Às vezes sobe aos ramos da árvore e da lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios de crautá, as agulhas de juçara com que tece a renda...” (ALENCAR, “Iracema”)

                - “No bolso, pouco dinheiro e um pedaço de fumo. Um chapelão de palha bem trançado e fino, que era a especialidade do mulherio do lugar, mas nenhuma delas se apurava no tecido dos chapéus para vender em quantidade, em alguma feira."[...]"Encomendei à nossa velha louceira, toda a louça de barro, as panelas, potes e alguidares.”(RACHEL DE QUEIROZ, "Memorial de Maria Moura")

Setor 3 – “Fica então um bom desejo, que seja lindo seu festejo”

No dedilhar da viola caipira, vamos construindo a folia de brincar. Sagrado e profano andam juntos para bordar rio e mar. A música traz o convite para embarcar no tempo: passado e futuro. A fé aguça o desejo de conhecer novos desafios. Encantamento. Contar a história por meio da palavra e da imagem.

                - Rachel dama de fé, as festas folclóricas que tanto animam o sertão são feitas no Ceará, incluindo as do chitão. Reisado e maracatu e Padim Ciço Romão.

                - Alencar, meu bom senhor, quadrilhas, cirandas e boi de chifre dourado, são festas bem conhecidas de meu povo rogado. Procissão de São Pedro com barcos enfeitados.

                “Logo depois vinham os Reis com as suas cantigas, as suas romarias noturnas, as suas coletas para o jantar do dia seguinte[...] Ao Espírito Santo armavam-se as barraquinhas, e faziam-se leilões de frutos e de aves.“(ALENCAR, “Ao correr da pena”)

                "Alguns dizem que o padre está debaixo do chão: os incréus, os materialistas. Porque a gente que tem fé conta que Meu Padrinho, vendo a choradeira do povo, ressuscitou ali mesmo, sentou­-se no caixão, sorriu, deu bênção, depois deitou­-se outra vez e seguiu viagem dormindo, até à igreja do Perpétuo Socorro." (RACHEL, "O Padre Cícero Romão Batista")

                "Então entraram, cada uma de seu lado, duas quadrilhas adereçadas com roupas muito lindas, uma de verde e amarelo, que era a dos pernambucanos, e outra de encarnado e branco, que era a dos lusitanos. Correram primeiro as lanças; depois jogaram as canas e alcanzias, fazendo várias sortres como costumam." (ALENCAR, “O sertanejo”)

                “Dançam o congo e suas pantomimas guerreiras, dançam-se as sortes em redor das fogueiras de São João.”(RACHEL, "O Senhor São João")

                “A donzela vinha radiante de formosura e graça. Debuxava-lhe o talhe airoso um vestido de lhama de ouro, justo e de estreita roda.” (ALENCAR, “O Sertanejo”)

                “Lá pela minha zona, que já é sertão autêntico, o único festejo popular que apaixona e consome dinheiro e energias é o boi. Essa sim, tem ainda muita força no coração do povo. Tem burrinhas com saia de rendas, tem bois com chifre dourado, babaus enfeitados com fitas de gorgorão, e os trajos dos velhos são quase tão caprichados quanto os cordões de carnaval dos cariocas." (QUEIROZ, "O Senhor São João")

                "Aproveitemos a estiada da manhã, e vamos, como os outros, acompanhando a devota romaria, assistir à festividade de São Pedro” (ALENCAR, “O Sertanejo”)

SETOR 4 – “Ser tão arretado de bom”

São tantas horas de sertão rachado, tantos mares desbravados, tantos caminhos trilhados para conhecer novos mundos. A beleza encanta nas trilhas onde tudo leva para qualquer lugar. Florestas enfeitiçadas pela lua, águas doces cristalinas pelos raios do sol ardente, mares verdes como joias de pedras raras. Natureza generosa que nos convida a dar a volta ao mundo girando o globo na própria mão. Viajar de barco, de avião, de ônibus, de trem para desvendar os mistérios durante o percurso.

                - Rachel que orgulho tenho, dos fósseis de Cariri ao pé da Ibiapaba. Bichos, flores e frutos, tantas belezas raras. Grande Açude do Cedro, queda d'água abençoada.

                - Gosto também, Alencar, de balonismo nos céus, com cores agigantadas. Famosa do litoral, a bela Canoa Quebrada.  Parque de Água doce, praias de água salgada.

                “Esta imensa campina, que se dilata por horizontes infindos, é o sertão de minha terra natal. Aí campeia o destemido vaqueiro cearense, que à unha de cavalo acossa o touro indômito no cerrado mais espesso, e o derriba pela cauda com admirável destreza...”(ALENCAR, “O sertanejo”)

                “Eu também me fazia contar coisas do meu Cariri natal, que era ali tão exótico e distante quanto as agulhas de Cárpatos.”(RACHEL, "As Três Marias")

                “Veio pelas matas até o princípio da Ibiapaba, onde fez aliança com Irapuã, para combater a nação pitiguara. Eles vão descer da serra às margens do rio em que bebem as garças.” (ALENCAR, “Iracema”)

                “E o Cedro grandioso grita, a se remirar no seu paredão alto, nos seus mosaicos, nos correntões que pendem em marcos de granito.”(RACHEL, "Mandacaru")

                “A praia ficara deserta; e nas águas tranqüilas da baía, apenas as nereidas murmuravam, conversando baixinho sobre o acontecimento extraordinário que viera perturbar os seus calmos domínios.” (ALENCAR, “Ao correr da pena”)

                "Essa ligação de amor que o nordestino tem com a sua terra... Pensando bem, será mesmo de amor? Ou antes: será só amor? Talvez maior e mais fundo, espécie de mágica entre o homem e o seu chão, simbiose da terra com a gente.  Vem na composição do sangue. Aquela terra salgada que já foi fundo do mar tem mesmo o gosto do nosso sangue.” (RACHEL, "As terras ásperas")

Setor 5 – “A beleza arrochada no aprumo”

Um pouco de cera para o couro, um pouco de linha para costurar a vida. Um pouco de mistério nos desenhos que se movem ao caminhar.  Milhares de finos fios movimentam-se como tramas de nossos sonhos. O giro do bilro sustenta o equilíbrio e o desejo de novas formas.

                - Raquel aqui te digo, o Mestre mais conhecido é Expedito Seleiro. Gibão e mais aparatos que ornamentam o vaqueiro. Moda característica do couro brasileiro.

                - O aprumo, amigo Alencar, é moda feita com amor. Moda de dormir, moda de praiar. No salão nobre ou na pista, o artista a desfilar, com riquíssimos atrativos, conquista o além-mar.

                "Vestia o moço um trajo completo de couro de veado, curtido à feição de camurça. Compunha-se de véstia e gibão com lavores de estampa e botões de prata; calções estreitos, bolas compridas e chapéu à espanhola com uma aba revirada à banda e também pregada por um botão de prata.“(ALENCAR, “O sertanejo”)

                “Olhei para mim mesmo, ali, sentado no chão, a roupa de brim pardo, as grossas botas reiúnas, o lenço no pescoço. Tudo surrado e encardido...”(RACHEL, "Memorial de Maria Moura")

                “Ao lado pendia-lhe do talim bordado a espada com bainha também de ouro e copos cravejados de diamantes, como o argolão que prendia-lhe ao pescoço a volta de fina cambraias, cujas pontas caíam sobre os folhos estofados da camisa.” (ALENCAR, “O sertanejo”)

                “Na grande mesa de jantar onde se esticava, engomada, uma toalha de xadrez, duas xícaras e um bule, sob o abafador bordado.” (RACHEL, "O Quinze")

                “Preso por um airão de ouro, o longo véu de alva e finíssima renda, todo semeado de raminhos de alecrim e flor de laranja, com lizes de ouro, descia-lhe até os pés, e arfando às auras matutinas.” (ALENCAR, “O Sertanejo”)

                "Agora, o quarto onde ela mora é o quarto mais alegre da fazenda, tão claro que, ao meio dia, aparece uma renda de arabesco de sol nos ladrilhos vermelhos.” (RACHEL, "Telha de vidro")

                “Ao ombro esquerdo traziam eles alvas toalhas do mais fino esguião lavradas de labirinto com guarnições de renda, trabalhos estes em que as filhas do Aracatí já primavam naquele tempo, e que lhes valeu a reputação das mais mimosas rendeiras de todo o norte”. (RACHEL, “O Sertanejo”)

                - Nossa gente tece o mundo, e o mundo se enredou. Com rendas de fino trato, que a rendeira criou. Borda o pano e a vida, que tanto a Ilha cantou.

                E assim desfilam peões com couros coloridos pelos salões, damas de rendas formosamente belas pelas areias. Avançam e seguem em frente traduzindo um novo sentido para as histórias desse povo que luta pelo sorriso e pela felicidade. Gente forte, gente guerreira, um sem fim de personagens e suas andanças pelo reino da folia.

                “Acabaram com a Praça Onze, mas viva o carnaval da Ilha. Acima de tudo, viva a Ilha.”(QUEIROZ, "Saudades do Carnaval")

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Obras de José de Alencar:

ALENCAR, José de. “O Nosso Cancioneiro”. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1960.

______________. “Iracema”. In: Obra Completa. Riode Janeiro: Editora José Aguilar, 1959.

______________.“Ao correr da pena”.In: ObraCompleta. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1960.

______________.“Como e porque sou romancista”. São Paulo: Companhia Aguiar Editora, 1959.

______________.“O Sertanejo”. 13 ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

______________. “O Guarani”. São Paulo: Ática, 2003.

Obras de Rachel de Queiroz:

QUEIROZ, Rachel de. “As Três Marias”. Rio de Janeiro: José Olympio,1979.

______________. “O Quinze”. São Paulo: Siciliano, 1997.

______________. “O Não Me Deixes: suas histórias e sua cozinha”.São Paulo: ARX, 2004.

______________. “Memorial de Maria Moura”. Rio de Janeiro:José Olympio, 2007.

______________. “O nosso Ceará”. Fortaleza:Fundação Demócrito Rocha, 1996.

Outras obras consultadas:

CAVALCANTE, Tiago Vieira. “Geografia literária em Rachel de Queiroz”. Rio Claro-SP: Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Geociências e Ciências Exatas, 2016.

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. “Coleção Melhores Crônicas: Rachel de Queiroz”. São Paulo: Global,2012

NERY, Hermes. “Presença de Rachel: conversas informais com a escritoraRachel de Queiroz”. Ribeirão Preto: FUNPEC-Editora, 2002.

Beija-Flor de Nilópolis - Sinopse 2019

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“QUEM NÃO VIU, VAI VER

AS FÁBULAS DO BEIJA-FLOR”

 

INTRODUÇÃO

 

 

         No dia de Natal, à luz do Criador Deus Menino, sete décadas atrás, nasceu faceiro Beija-Flor, criado com muito amor; dádiva de quem já estreou abençoado na manjedoura nilopolitana, esmeralda reluzente riscando o céu no infinito.

Conduzindo essa viagem fascinante, voando de flor em flor nos Jardins da Folia, disseminou o pólen da informação e o grão do entretenimento, semeando Cultura Popular; bailando e rodopiando pelos ares, até na floração do Carnaval nova flor ver desabrochar.

Fez da História milenar alimento, cruzou céus e mares, igarapés e mananciais. Promoveu o encontro entre tambores e tribos, lendas e mitos; e viu despontar costumes, peculiaridades e tradições. Escreveu páginas de ouro da poesia brasileira ao revisitar nossas raízes, e nos fez mais felizes ao cantar a exuberante beleza das riquezas áureas do Brasil de Norte à Sul, em tons de branco e azul.

Viajou pelo mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu, pelo paraíso hospitaleiro de onde se avista o sol primeiro, da Terra Santa – verde paraíso do povo da floresta e seu canto de fé pela missão de preservar, embebido de força, mistério e magia – para as terras dos Pampas, onde sete povos, na fé e na dor, ergueram sete missões de amor, em meio à liberdade dos campos e aldeias.

Viu brilhar o seu valor a iluminar o estado de amor de uma Comunidade que impõe respeito, e cheia de orgulho, bate no peito. Retirou o chapéu de bamba para anunciar Brasília, a capital da esperança, inspirada na arte e nos traços do mestre da arquitetura; e declamou ainda, o poema encantado da terra do bumba-meu-boi, da encantaria e das palmeiras onde canta o sabiá.

Resgatou as nossas origens e a nossa herança africana, legado dos nossos ancestrais. Testemunhou a criação do mundo na tradição Nagô e às Pretas-Velhas... quanto amor! Cantando em louvor à grande constelação das estrelas negras e todo o seu esplendor.

Ao abordar a importância da negritude, rompeu fronteiras e conheceu o berço de diferentes civilizações. Do Egito à liberdade, esclareceu que negros escravos viveram em grande aflição, foram o braço forte da nação; saga de quem vai seguindo o seu destino...

Enfim reencontrou as Áfricas de lutas e de glórias – do baobá da vida de Ilê Ifé à irmandade do conto do griô, negro na raça, no sangue e na cor.

Narrador-personagem a desvendar mistérios trajados de fantasias, consagrou-se ave Soberana, desfilando a exaltar a Corte de reis e rainhas no cortejo dos plebeus, composto por mestiços, índios, negros e europeus.

Homenagens que passeiam pela exaltação à José de Alencar, ao bom Natal – saudado pela Majestade, o Samba; pela coroação da Dama das Bromélias Margareth Mee, que fez a festa na Sapucaí, e pelo canto de cristal da diva internacional Bidu Sayão, que sacudiu a Passarela.

Comoveu ao botar pra fora a felicidade de reverenciar a simplicidade, momentos lindos que fizeram do Samba, oração. Sonhou o sonho do sonhador ao viajar nos feitos do astro iluminado da televisão, e na genialidade do Marquês que batizou a Avenida, palco das mais esplêndidas atrações.

Audacioso pássaro pequenino se fez gigante, ao propor reflexão social, ao soltar o grito de liberdade, o clamor por igualdade. A utopia de um Brasil livre da ganância nociva que há por baixo dos panos, ninho de famintas serpentes, onde ratos e urubus, trepados no cangote do povo, fingem não entender que todo mundo nasceu nu, e que saco vazio não pára em pé. Santuário de ambição que vitimiza brava gente sofrida, cansada de ganhar tão pouco, que vive no sufoco e precisa desabafar: seus filhos já não aguentam mais! Monstro é quem não sabe amar!

Foi o nosso DNA precursor e revolucionário, de quem tem sede de vitória, que permitiu que chegássemos até aqui, conquistando 14 estrelas, revelando o sorriso alegre do sambista, e sendo aclamada o festival de prata em plena pista.

A possibilidade de fazer uma releitura de desfiles memoráveis, alguns considerados mesmo antológicos, é um afago para a nossa gente humilde, que defende o nosso manto sagrado, na alegria ou na dor. Enamorada do nosso país, Nilópolis é nossa raiz!

Hoje, a nossa declaração de respeito, reverência e devoção ao Pavilhão virou fabuloso enredo sobre nossa septuagenária Agremiação; hino a ser defendido e entoado pelo canto inebriante de uma Comunidade fascinante. Quem Não Viu, Vai Ver, as Fábulas do Beija-Flor!

Que o ímpeto de voar seja o nosso segredo para acreditar, que o palpite, é certo!

 

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Sinopse Unidos de Lucas - Carnaval 2019

 

Logo enredo 2019 lucas

"Do Galo de Barcelos ao Galo de Ouro, Lucas conta uma história de fé e justiça".

''E o Galo cantou...''

"É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem." suplica um antigo galego em momento crucial de sua história, que aqui, vamos narrar.

O nosso conto se inicia com a tão Portuguesa lenda que transforma um galo assado em uma idolatria nacional. Em plena Idade Média, na cidade de Barcelos, um desconhecido galego que se dirigia a Compostela a pagar uma promessa feita a Santigo, foi acusado de um crime que o mesmo jurava que não cometera. Como mera coincidência aos dias atuais, o jovem não teve chance e foi condenado direto a forca fria e silenciosa pelo maior juiz local. Suplicando como seu último pedido, o galego pediu que o enviasse a uma conversa frente a frente com o juiz que o condenara. Chegando ao local, acontecia um banquete, revestidos de importantes convidados da localidade e de muitas guloseimas. Avistando a mesa, via um enorme galo assado pronto para ser degustado. Então o ancião declama: "É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem." Aos risos, o juiz ordenou que o enforcassem naquele momento, sem direito de resposta.
Ao chegar no seu martírio, o robusto galo se levanta e começa a cantar para espanto de todos. Aliviado e muito assustado, o injusto juiz corre até a forca e percebe que os nós que seus capatazes fizeram ficou um tanto frouxo, não deixando que o injustiçado fosse morto naquele local. Feliz com o fato, o juiz salva o peregrino de seu calvário injusto, e o mesmo parte feliz ao seu destino, na Espanha.

''Galo Milagreiro...''
Milagre, fé, justiça?
O que sabemos é que a lenda virou um dos maiores símbolos das Terras Lusitanas, construindo assim, o Galo de Barcelos. Essa história ganhou os quatro cantos de Portugal transformando o Galo morto em símbolo de justiça, fé e adoração. Não precisamos andar muito por terras portuguesas e percebemos a venda diversos objetos, pinturas e outras lembranças do galo em qualquer parte em que olhamos.

"Como vai Brasil?...''
Conhecendo de onde tudo se iniciou, nos julga necessário transformar essa lenda em um novo capítulo de nosso país.
Muito se fez com o Galo de Barcelos durante anos e anos, até para o espaço ele foi enviado em um balão. Atingindo a atmosfera, o balão tendeu a romper-se, deixando o Galo a deriva no espaço caindo novamente em nosso planeta.
Nós, temos a capacidade de adivinhar onde ele caiu? Segundo as nossas fantasias, ele caiu foi no Brasil!

O Galo de Barcelos, em nosso enredo, aportou em terras Tupiniquins para tentar de alguma forma construir uma sociedade mais justa perante os fatos que assolam os noticiários de nossos dias. Será que conseguiremos mudar nossos destinos? Ele irá tentar, por nós!

"Pela justiça em todos os cantos..."
A liberdade sexual hoje em dia é menos velada, onde homens viram mulheres e mulheres se sentem homens, qual o problema?
Os cafetões de outrora tem agora uma concorrente a altura?
A lavação das cédulas e a faxina bem no estilo Lava Jato, ratos, queremos o nosso dinheiro! 
As justiças raciais hoje funcionam, com vezes sem cotas igualitárias e a certeza de que somos todos iguais. Até o "negrão" casa com a loirinha? Que notícia ótima!
A justiça do capital, nosso super corrupto com dinheiro até nas cuecas?
No trânsito, multas para homens de bem, que indústria maléfica!

De todos os lados nosso Galo de Ouro, ou de Barcelos, combate em prol a uma sociedade mais justa e igualitária. A fé irá nos mover!
Que o exemplo de justiça transformou-se esse galo assado. Um galo que canta por uma sociedade mais amorosa e mais humana, por dias melhores.

Cocoricó Lucas!

Carnavalescos:
Ney Junior
Walter Guilherme
Cristiano Plácido

Estácio de Sá - Carnaval de 2019


ESTCIO DE S  LOGOMARCA OFICIAL 2019 FINAL1 1 
 
ESTÁCIO DE SÁ 2019
ENREDO: “A FÉ QUE EMERGE DAS ÁGUAS”
Presidente : Leziário Nascimento
Vice Presidente: Nelson Souza
 
Pai Nosso que emerge das águas
Santificado seja vosso nome: Nazareno
Venha a nós neste momento
E abençoada seja vossa chegada
Pai Nosso que emerge das águas
Resplandecente como o pássaro sagrado
Em teu altar a medalha de ouro ofertamos
Para que traga a nós as correntezas do Pacífico e do Atlântico
As águas, antes bravias, contigo se acalmaram
E o povo, colérico, enfim ficou curado
Pai Nosso que emerge das águas
Evoca a memória de uma terra que surgiu do fogo
Cessa a nuvem de pólvora que exalou do ouro
Limpa as lágrimas do rio que chora
E ergue o canal que une dois mundos
Pai Nosso que emerge das águas
Perdoai as ofensas daqueles que não o entendem
Daqueles que não compreendem que sua cor é negra
Um Cristo que carrega a cruz das três raças
Pai branco, Pai índio, Pai negro
Pai Nosso, seja kuna ou seja banto
Na colheita ou no palenque do guerreiro Bayano
Salve Obatalá Nosso Pai
Se Jesus Cristo tivesse morrido na cruz dos dias de hoje
Ele seria negro
Porque nosso Cristo é o Cristo Negro
Nosso Cristo é o que seu povo quer que ele seja
Por isso, Pai Nosso que emerge das águas
A memória de uma nação celebrai hoje
E fazei com que Ismael tire seu chapéu
Para uma gente que peregrina
Para uma gente que peleja
Uma gente que festeja
Uma gente que tem fé
Ouve, meu Pai, ao chamado em Portobelo
Onde os tambores de Congo se afinam
Os malandros se dobram
Os mascarados dançam
E as polleras bailam a melodia
Pai Nosso, bendito e misericordioso
Cristo de braços abertos sobre as águas
Aquele que comparte o fardo da nossa cruz diária
Ajuda-nos a mirar o passado com gratidão
Encarar o presente com valentia
E construir o futuro com esperança
Ó, Cristo Nazareno Negrón
Nesta noite te oferecemos flores em devoção
Que seja feita, aqui e aí, a tua vontade
Assim na Terra como no céu:
Glória e prosperidade ao Panamá
E alegria a nosso povo da Estácio de Sá
Amém.
 
Carnavalesco: Tarcisio Zanon
Texto: Daniel Targueta

Sinopse Unidos da Tijuca 2019

Unidos da Tijuca

“Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!”

Através dos “olhos” do pavão, animal que traz a visão de Deus pela alma e elimina o mal com suas garras, a Unidos da Tijuca vai passar uma mensagem de esperança em dias melhores por meio da história e simbologia do pão. Assim como no pavilhão tijucano, o pavão guiará a escola a revelar a trajetória do alimento mais popular do planeta.
Em tempos de ódio gratuito, intolerância para todos os lados, e do politicamente correto, o enredo se utiliza de um ditado popular para sinalizar que, se cada um fizer a sua parte, o mundo há de ser mais justo. A agremiação frisa aqui que a expressão “cada macaco no seu galho” utilizada no tema nem de longe lembra o significado primitivo do termo, que era usado para discriminar a população negra. Dentro do contexto do desfile da Tijuca, o ditado assume o sentido irreverente característico dos cariocas. Ou seja, é “cada um no seu quadrado” em busca de uma sociedade melhor.
Essência de todas as escolas de samba, os negros foram (e são) o pilar desta festa. Portanto, seria contraditório denegrir quem fez e faz pelo maior espetáculo da Terra.
O título do enredo ainda traz uma frase de clamor pelo pão que alimenta, seja o corpo ou a alma. Desde a sua descoberta, ele vem curando as necessidades de muitos, fortalecendo a construção de sociedades. O pão é o fio condutor que nos levará até os dias atuais.
Afinal, de acordo com o historiador alemão Heinrich
Eduard Jacob, “nenhum outro produto, antes ou depois da
sua descoberta, dominou o mundo antigo, material e espiritualmente, como o pão foi capaz de fazer”.

Desenvolvimento

Através dos “olhos do Criador”, revejo o surgimento do alimento mais importante e sagrado do mundo. Na Mesopotâmia, um dos berços da civilização, o homem primitivo percebe que a simples exposição ao sol de um punhado de cereal, batizado como trigo, faz nascer uma massa intrigante. A “descoberta” dali para frente alimentaria a humanidade.
Foram os egípcios que, com inteligência e sagacidade, iniciaram o processo de fermentação dessa massa, dando origem ao Pão. Ele rapidamente ganhou traços simbólicos, seja como moeda de troca ou instrumento político.
Do pão, foi mantido um Império. Reis e rainhas caíram. Revoltas e revoluções surgiram.
O povo explorado, muitas vezes escravizado, sempre trabalhou pelo alimento de cada dia. O humilde proletário, que madruga atrás de condução, também está em busca de uma vida melhor. E é na fé que esse homem se sustenta. Fé encontrada no filho de Deus, que se fez carne entre os pecadores. O Cordeiro de Deus deixou-nos o exemplo da multiplicação e partilha do amor com os irmãos.
Assim como Jesus Cristo, outras santidades dão verdadeiras lições de que, se cada um fizer a sua parte, mesmo que pequena, fabricaremos, amassaremos a mistura, que ao crescer, salvará nosso mundo da fome de alimento, e de sentimentos.
Até porque vivemos em uma realidade tão cruel, em que muitos ainda não têm acesso ao básico para viver. Os abusos de poder massacram os desfavorecidos. Estamos
no forno, assando, sofrendo, queimando no descaso de quem deveria olhar pela prosperidade de todos.
Ah se todos fizessem a sua parte…
Se os ardilosos com seu egoísmo e ambição fossem extintos…
O ditado popular “Cada macaco no seu galho” nunca foi tão essencial como agora. Não no seu significado primitivo, que era usado para discriminar a população negra – povo que é a essência das nossas escolas de samba. Se cada um dentro do seu ofício fizer o melhor, teremos o nosso pão e não morreremos de fome.
É preciso colocarmos no coração verdadeiramente a mensagem do Pão da Vida para podermos viver nas glórias de um Paraíso Real.
Enquanto não desfrutamos desta abundância, sei que tudo poderá me faltar: água, pão… Mas nada tirará o meu ânimo de viver. Nada! Porque sei que nunca me faltará o teu amor, Pai. Amor que gerará filhos, nascidos sem dor. Filhos que crescerão como homens de bem, direitos. Direitos que serão ensinados para vivermos em um mundo melhor.

Ouço o teu clamor, por isso, cubro-te de amor e fé pois este é o verdadeiro alimento da sua alma.

 

Unidos pela arte e cultura popular

Coordenação geral: Laíla
Diretor de carnaval: Fernando Costa
Carnavalescos: Annik Salmon, Fran Sérgio, Hélcio
Paim e Marcus Paulo
Desenvolvimento: Annik Salmon, Fernando Costa, Fran Sérgio, Hélcio Paim, Igor Ricardo, Laíla, Marcus Paulo
Pesquisa e texto: Igor Ricardo

Agradecimento

Obrigado, meu Deus, obrigado por mais esse dia. Obrigado pela minha família, pela oportunidade de mais uma vez te encontrar de braços abertos para carregar em teu colo os meus desejos, as minhas dores, os meus desafios. Obrigado, meu Deus, por iluminar meu caminho, protegei minha casa, minha mulher, protegei meus filhos. Cubra-me de amor e fé porque esse é o verdadeiro alimento da minha alma. Iluminai a cabeça daqueles que vivem na escuridão, consolai aqueles que tanto precisam do teu amor. Proteja aquele que vai em busca do pão de cada dia, mas sobretudo cubra de graças aquele que se levanta para ir em busca de um emprego. Que o clarão do dia que está para chegar, traga o sol da tua bondade e aqueça o nosso coração. Sei, meu Deus, que pode me faltar a água, o pão, um teto, um abraço, mas sei que nada disso é tão importante que me tire o ânimo e a alegria de viver. Sei que nesta vida tudo poderá me faltar. O que nunca me faltará é o Teu Amor, Pai.